Discovery, design, desenvolvimento, 2026
Este site, construído com IA
Este portfólio foi construído como um exercício de desenvolvimento orientado por especificações usando IA. A conversa de descoberta virou spec, a spec virou código, e cada etapa — prototipação, testes, documentação, revisão — passou por Claude com decisão técnica minha no comando.
- Stack
- Next.js 16,TypeScript,Tailwind CSS,MDX,Claude Code,Vercel
- Pilares
- Técnica
- Produto
O problema
Eu precisava de um portfólio que mostrasse três coisas: que desenvolvo com qualidade, que cuido da interface, e que entro na construção do produto desde o problema. Um template genérico de "developer portfolio" não mostra nenhuma.
Havia um problema a mais. Eu ia construir o site com IA, do jeito que construo tudo hoje, e quem lê um portfólio feito assim desconfia com razão: se a máquina gerou, o que sobrou de você? O site precisava responder isso sem argumentar.
O que descobri
Não abri o editor. Abri uma conversa em formato de interrogatório, onde cada resposta minha vira a próxima pergunta, e só parei quando não sobrou nada implícito. É como começo qualquer trabalho agora, e a razão é simples: a IA executa o que está escrito, e o que não está escrito ela inventa.
Enquanto eu respondia, um segundo agente varria meus projetos antigos, meu currículo e meus repositórios para inventariar o que existia. Levantar material é busca, não decisão, e busca eu delego sem olhar. Decisão, não.
A descoberta cravou a tese do site: o que eu tenho de mais próprio não é uma stack, é a forma de trabalhar. Então o processo precisava ficar visível na página, não descrito num parágrafo. Daí o site virar um rascunho de trabalho, com anotações na margem e correções à vista.
O que construí
A conversa virou uma especificação: problema, solução, user stories, decisões de implementação e de teste, e o que fica de fora. Só então o código começou, com a spec como contrato. Da primeira pergunta ao site no ar foram 3h09 e 17 prompts meus. A velocidade é da ferramenta. O que eu fiz nesse tempo foi decidir três coisas que ela não decide.
O que pode ser versionado. A primeira spec misturava o que o site precisava com anotações minhas que não têm nada que fazer num repositório público, e ia direto para o primeiro commit. Barrei. Daí nasceu a estrutura do projeto: uma pasta de trabalho que o git ignora, onde a conversa bruta fica, e um glossário de domínio commitado, que é o que o agente lê a cada sessão para não perder o fio. A IA não sabe o que é seu e o que é do projeto. Quem sabe sou eu.
O que parece bom. A fonte mudou três vezes na primeira hora, a olho. Margem, espaço antes do título, tamanho do título: cada ajuste foi um prompt de uma linha, porque a IA acerta o sistema e erra o gosto. Uma hora depois de estar no ar, o site inteiro ainda parecia um template: rótulos em caixa alta, setas decorativas, header com blur. Refiz a identidade inteira, e as notas de margem que você vê nesta página nasceram dessa segunda passada.
O que é verdade. Os cases foram escritos de memória durante o build, e eu sei o que acontece quando a IA escreve de memória: fica plausível. Então, com o site no ar, rodei uma sessão só de auditoria, com acesso ao git, ao código e aos logs dos meus projetos, com uma regra: cada afirmação publicada recebe uma fonte ou uma marca de "não verificado".
Resultado
A auditoria derrubou coisa que eu mesmo tinha escrito. Um case dizia que um produto meu tinha sido reconstruído três vezes, e o git mostrava uma versão só. Outro dizia que a suíte de testes rodava a cada push, e não havia pipeline nenhum. O primeiro case saiu do site e outro entrou no lugar. O segundo perdeu a frase e ganhou os números reais, que eram melhores. Até a conta de anos de carreira estava errada, para menos.
Hoje, cada número deste site tem uma fonte que eu consigo mostrar, e as correções ficaram à vista, nas margens. Um portfólio feito com IA que se corrige em público é a melhor resposta que encontrei para a desconfiança do começo. Não é um site que a IA gerou. É um site em que eu decidi o que ela podia gerar, o que ficava bom e o que era verdade.
Próximo case
SaaS de turismo — a média escondia a falha